Falar sobre o passado é algo que acontece com todo mundo. Não precisa nem ser um saudosista extremado. O motivo de sempre estarmos lembrando algo que aconteceu é muito simples. O futuro pode ser especulado, mas não há certeza de que vai acontecer realmente. Como diz o ditado, "o futuro só a Deus pertence". O presente é agora, é o que está acontecendo no momento. O passado é o ontem, o que aconteceu e como aconteceu nas nossas vidas. Só temos certeza, portanto, do passado. Rememorá-lo é inerente ao ser humano. Outro dia, conversando com amigos, começamos a lembrar coisas de quem tem 50 ou 60 anos de idade, e que não existem mais, ou estão muito modificadas. O progresso é gigantesco em todos os setores, mas nas comunicações ele é mais notório. Celular, ipad, ipod, gps, televisor de LCD ou de LED, internet, são coisas que ninguém imaginava há uns vinte ou trinta anos. Alguém comentou sobre os sabores da infância, principalmente quem teve uma infância de poucos recursos. Por exemplo, refrigerantes hoje são coisas triviais, mas há uns trinta anos comprar uma tubaina era coisa só para o almoço dos domingos e olhe lá. Para alguns, só no Natal. E sem gelo, porque geladeira também eram poucas as casas que possuíam o eletrodoméstico. Nessa roda de amigos, começamos a lembrar outros sabores da infância. Por exemplo, furar a tampinha do guaraná caçulinha para beber bem devagar, fazendo com que durasse mais. O pipoqueiro e o carrinho de algodão doce existem até hoje, mas o vendedor de quebra-queixo e de biju praticamente desapareceram. O de biju, lembro bem, tinha um tambor redondo, cuja tampa havia dezenas de preguinhos com números ao lado, formando um círculo. A criança que comprasse um biju podia girar essa rústica roleta e, se tivesse sorte, receber alguns bijus a mais. Onde estão os drops Dulcora, a bala 7 Belo, a bala de cevada, os chicletes e as balas de goma que todo mundo comprava antes de entrar na sala do cinema? Falando em cinemas, hoje restrito aos shoppings, até a década de 1970 existiam em qualquer cidadezinha perdida no mapa. Projetando filmes novos ou antigos, bons ou ruins, não importa, eram muito frequentados e considerados o maior centro de diversão de uma cidade. Quanto às comidas, recordamos que não havia essa profusão de congelados e alimentos prontos da atualidade. Muitas pessoas criavam galinhas em seus quintais e as matavam nos domingos. Carne de porco, quem não tinha geladeira, derretia a banha, fritava os pedaços de carne e mergulhava-os na gordura. Era uma espécie de conservante. Outros dois sistemas de conservar alimentos eram defumar ou salgar. Comer carne de aves era tão difícil que havia até uma piada: "quando pobre come galinha, um dos dois está doente". E lembraram ainda do tenis Conga, a camisa de Ban-lon, a calça Topeka, a Grapette (quem bebe Grapette repete), a camisa Volta ao Mundo (aquela que não amarrotava), os cigarros Continental e Holywood. Há pessoas que guardam lembranças da infância e, tendo oportunidade, querem voltar ao passado. Há uns três meses, um empresário martinopolense residente em São Paulo, ficou sabendo que num sitio da Represa havia gabirobas maduras, pediu para o seu motorista e a secretária virem até Martinópolis adquirir toda quantidade que encontrassem. A gabiroba é uma espécie de goiaba minúscula, muito doce. Hoje é uma fruta rara, mas quem foi criado em sitios (ou tinha parentes na zona rural), comer gabirobas no pé era um prazer sem igual.
Escrito por José Carlos Daltozo às 10h16
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Há, em nossa cidade, vários sites e blogs no ar, mostrando que a Internet é um instrumento de comunicação extremamente importante da atualidade. Numa fração de segundos, ela pode ser acessada no Alasca ou na Sibéria, em Buenos Aires, na Argentina, ou em Tóquio, no Japão. Foi colocado no ar, há poucos dias, um blog dos amigos da AABB-MARTINÓPOLIS, contemplando fotos antigas e atuais do clube e dos associados, em eventos esportivos e sociais. A AABB - Associação Atlética Banco do Brasil estará completando, amanhã, 47 anos de existência, uma vez que foi fundada em 22 de agosto de 1964. O endereço do blog é http://aabbmartinopolis.blogspot.com/ Depois de acessado, há um menu à direita com várias categorias de fotos (fotos históricas, eventos, churrascos, happy hour etc) além de histórico do clube. Há tempos havia a intenção de produzir algo nesse sentido, que mostrasse o clube ontem e hoje, as pessoas que frequentaram ou frequentam a associação, os eventos importantes, as conquistas históricas no futebol de salão, quando fomos tetracampeões estaduais de futsal entre as AABBs de todo o Estado de São Paulo. O problema era encontrar alguém entendido em informática e que se dispusesse a perder algumas horas de seu lazer para criar e manter o blog. Essa pessoa foi encontrada no associado Carlos Abreu, que deu conta do recado com desprendimento e grande habilidade. Um blog é um pouco diferente de um site. O site é mais completo, permite mais inserções, mais movimentações, páginas mais elaboradas.. Só que o site depende de ser hospedado em um provedor, além de ser necessário pagar alguém para criá-lo e mantê-lo, além de uma taxa anual de manutenção do provedor. O blog é mais simples, não há taxa alguma, só que há algumas restrições de espaço. Pode até ser que o blog da AABB evolua e futuramente se transforme num site. Acesse o blog http://aabbmartinopolis.blogsport.com/ e saboreie o conteúdo. Quem sabe você está em alguma foto. Ou um parente seu. Ou um amigo dos velhos tempos. No Google, se o leitor mencionar blogs e sites de Martinópolis, encontrará o caminho não só desse da AABB como outros interessantes que já existem em Martinópolis. Por exemplo: http://ouroverdefc.com.br, www.foradehora.com.br, http://ambientemartinopolis.blogspot.com, www.blogdoulisses.com.br, www.gremiodesp.com.br, www.tatutracado.com.br, http://objetivomartinopolis.com.br , além de muitos outros ligados a igrejas, associações, entidades e empresas. Voltando a falar em AABBs, é interessante narrar um pouco da história de como elas surgiram. A idéia de criação de um clube que reunisse os funcionários e familiares teve origem no Rio de Janeiro, no longínquo ano de 1928. Após o expediente bancário do dia 18 de maio de 1928, os jogadores de um time de futebol que ia disputar um torneio municipal perceberam a necessidade de se congregarem em uma associação documentada, resolveram criar um clube e foi votado o nome de Associação Atlética Banco do Brasil. A idéia evoluiu e em pouco tempo chegou a outras capitais onde o banco possuía agências. A diretoria do banco, por sua vez, auxiliou a criação de novos clubes, em praticamente todas as cidades importantes onde o banco tivesse agências. Era uma maneira de fixar o funcionário nas respectivas cidades, algumas vezes em locais distantes de qualquer conforto. Até a década de 1970, havia muitas agências em cidades no Norte e Nordeste que não recebiam sinais de televisão, não havia asfalto nem água encanada, as escolas e médicos eram raros, por isso as AABBs funcionavam como aglutinadoras, onde os funcionários e seus familiares pudessem ter momentos de lazer e praticar esportes. Hoje há mais de 1.000 AABBs espalhadas por todo o território brasileiro, algumas luxuosas, situadas à beira mar ou em locais turísticos. Outras gigantescas, em chácaras e sítios distantes dos centros urbanos, geralmente oito a dez quilômetros de distância. Outras são de menor porte, mas são melhor localizadas, praticamente dentro das cidades. Martinópolis tem sorte de ter uma AABB "dentro da cidade". Inclusive está aceitando novos sócios, única exigência é que seja cliente do Banco do Brasil e apresentado por um associado. O verão se aproxima, nada melhor que nadar, jogar futebol, ir à sauna e desfrutar de momentos de lazer e recreação com os filhos e com os demais associados.
Escrito por José Carlos Daltozo às 10h15
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É normal, ao encontrar pessoas em eventos sociais ou mesmo ao circular pela cidade, comentarem sobre algumas de minhas crônicas semanais neste jornal. Mas a crônica da semana passada, sobre o falecimento da atriz Marlene França, foi a que provocou mais lembranças nos leitores. Naquela crônica comentei sobre o precoce falecimento da atriz, aos 68 anos de idade e mencionei que havia informações esparsas de que ela teria morado em Martinópolis na pré-adolescência, mas não havia provas. Recebi telefonemas e fui procurado por vários leitores informando que a conheceram, alguns até mencionaram ter estudado com ela na atual Escola Adelaide, em 1955. Procurando mais informações na Internet, encontrei em um site a resenha de um livro escrito por Maria do Rosário Caetano, da série Aplauso, editado pela Imprensa Oficial, que menciona o nome de nossa cidade, entre as várias cidades que Marlene e a família moraram. O pai era alfaiate, confirmei isso na Internet e amigos da cidade também me informaram esse fato, inclusive que teria trabalhado numa alfaiataria no final da rua 9 de julho. Pensei que fosse agricultor, pois em alguns relatos havia informações que ele era um "retirante nordestino", ou seja, o tipo de pessoa que vivia fugindo da seca no Nordeste, vivendo de cidade em cidade, onde houvesse trabalho nas roças de algodão. Reproduzo trecho da resenha do livro "Marlene França: do sertão da Bahia ao clã Matarazzo", de Maria do Rosário Caetano, para conhecimento dos leitores: "Quem imaginaria que aquela menina sertaneja, que acompanhava os pais por lavouras das cidades de Tucano, Milagres, Canudos e Feira de Santana (na Bahia) e Ourinhos e Martinópolis (Estado de São Paulo) se tornaria uma Matarazzo? Ninguém, não é? Marlene, que vivera a pobreza do sertão e a vida dura das plantações de feijão, café e banana, passaria a conviver com a nata da elite paulista. Teve breve carreira de cantora (na Boate Sambalelê) e estrelou quase 30 filmes. Além de "A Rosa dos Ventos", produzido em 1957, sua primeira participação no cinema, fez quatro nordestern (aventuras que antagonizam cangaceiros e volantes), algumas comédias eróticas (A Infidelidade ao Alcance de Todos, O Supermanso), um filme com o astro jovem-guarda Ronnie Von (Janaína, a Virgem Proibida), uma das polêmicas produções de David Cardoso (Caçada Sangrenta, dirigida por Ozualdo Candeias), um western satírico de Sérgio Person (Panca de Valente) e os empenhados A Conquista do Paraíso (do argentino Eliseo Subiela) e Nasce Uma Mulher (de Roberto Santos, de quem foi amiga e colaboradora). Nas décadas de 1980 e 1990, desenvolveu significativa carreira como documentarista. Neste livro da Coleção Aplauso, que tive a alegria de escrever, relembro alguns dos principais momentos da movimentada trajetória de Marlene França como atriz, cantora, diretora e mulher. Depois da estreia em A Rosa dos Ventos, Marlene deixou em definitivo a Bahia para viver em São Paulo. A luta na cidade grande foi árdua: a jovem (e bela) balconista de bar, em São Caetano, no ABC Paulista, reiniciou-se no cinema como continuísta. Sua beleza, porte esbelto e cabelos negros e cacheados chamam a atenção e ela fotografou para capas de discos (de bolero). O cinema paulista viveu dias muito difíceis, depois do fim da Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Marlene frequentou cursos de cinema e fez amigos nos bares onde batiam ponto os profissionais que teimavam em sobreviver numa cinematografia periférica, sujeita a crises permanentes. Fez seus primeiros filmes como continuísta, figurante ou atriz secundária. Trabalhou com Walter Hugo Khouri (Fronteira do Inferno) e Amácio Mazzaropi (Jeca Tatu). O primeiro casamento a uniria a Milton Amaral, cineasta paulista. Viveria duas grandes paixões - por Ignácio de Loyola Brandão e Riva Faria - e namoros passageiros com Gianni Amico e Renzo Rosselini. Sua beleza típica de morena sertaneja a qualificaria para os nordestern movie, gênero que viveu seu apogeu nos anos 1960. Começou em um típico western nordestino - A Morte Comanda o Cangaço, de Carlos Coimbra. Depois, sob a direção do marido, Milton Amaral, atuou em O Cabeleira, e no mesmo ano (1962), integrou o elenco de Três Cabras de Lampião. Carlos Coimbra a dirigiu, no ano seguinte, em Lampião, o Rei do Cangaço. Cantando na boate Sambalelê, situada na Avenida Brigadeiro Luiz Antônio paulistana, conheceu André (Ângelo Andrea Matarazzo Ippolito) numa tarde de ensaios. Uma paixão fulminante os uniu. O clã Matarazzo não se entusiasmou com a atriz baiana, pois esperavam para o jovem empresário, de preferência, uma princesa europeia. Quatro anos depois, a família a receberia em festa de Natal, na mansão da Avenida Paulista (1968). De seu casamento com André nasceriam seus três filhos: Andrezinho (que morreu de acidente em 2007), Marleninha e Paloma." Os dados biográficos da atriz mostram que ela nasceu em UAUÁ, na Bahia, em 05 de agosto de 1943 e faleceu de ataque cardíaco na chácara dos Matarazzo em Itatiba-SP, em 23 de setembro de 2011, com 68 anos de idade. Conforme consta em sua biografia em vários sites, ela teria sido descoberta para o cinema ao vender frutas numa feira na Bahia, de 13 para 14 anos de idade, ou seja, em 1957, portanto, logo depois que morou em Martinópolis e voltou com a família para o Nordeste. Segundo relatos de leitores, ela teria morado em Martinópolis no ano de 1955. Interessante que nenhum político local nunca se deu conta desse fato, convidando-a para alguma festividade no aniversário de Martinópolis, com a exibição em praça pública de um de seus filmes, por exemplo. O mesmo está acontecendo com o comediante Ary Toledo, nascido em Martinópolis, que nunca foi convidado oficialmente para algum show ou alguma programação especial. No ano passado, graças à 92 FM, o humorista esteve na cidade, mas nenhum político foi prestigiar o show nem foi dar as boas vindas a ele no Hotel Ouro Verde, convidando-o a vir mais vezes visitar sua cidade natal.
Escrito por José Carlos Daltozo às 10h13
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A morte prematura de Steve Jobs aos 56 anos, de câncer no pâncreas, é a notícia do momento. Fundador da Apple, a maior empresa do mundo em valor de mercado, suplantando a Microsoft, General Motors, Ford, Fiat, General Eletric, IBM, Coca Cola e outras gigantes, suscitou uma pergunta: vale a pena estudar? Esse mote é feito porque nos dados biográficos do falecido consta que ele não terminou o curso universitário, saiu da faculdade e se tornou budista, além de frequentar aulas de caligrafia. E era também órfão, pois sua mãe verdadeira, não tendo condições de criá-lo, fez doação a um casal que se incumbiu de proporcionar estudos ao jovem Steve. Mas ele abandonou o curso universitário no primeiro ano, apesar de continuar vagando pelo campus, dormindo no chão do quarto de amigos. Só que um dia teve a grande idéia de fabricar um computador pessoal diferente de tudo que existia até então. E ficou milionário, reconhecido mundialmente como grande empreendedor. Fundou a Apple Computer em 1976, tendo como sócio Steve Wozniak. É um raro caso de pessoa não formada em curso superior que atinge tão alto posto. Mas isso não significa que, para se dar bem na vida, tem que ser órfão, abandonar curso superior, praticar o budismo e estudar caligrafia.Os leitores podem até citar outro exemplo de um "não universitário" que se deu bem, um metalúrgico de São Bernardo do Campo que teve parte de um dedo cortado num acidente de fábrica, entrou no movimento sindical e se tornou presidente da República. Quantos outros metalúrgicos serão presidentes? Quantos outros que abandonarem os estudos e cursarem caligrafia chegarão ao topo como chegou Steve Jobs? Certamente nenhum mais, eles foram a exceção à regra. O estudo é tudo na vida. No mundo de hoje, ao buscar um novo emprego, se houver cem vagas e surgirem dois mil candidatos, certamente será escolhida a centena melhor qualificada, preferencialmente com boa escolaridade. Fugir da escola não dá camisa a ninguém. Assim como frequentar a escola só por frequentar, para "tirar o diploma" sem ter noção do que foi ensinado. Há necessidade de realmente aprender, de receber conhecimentos e treinamentos para a vida futura, seja em escola de segundo grau, curso superior ou profissionalizante. O estudo é a base da evolução de um país. Se você está lendo esta crônica, é porque estudou e aprendeu a ler. No Brasil, embora o índice de analfabetismo tenha caído nos últimos anos, ainda há bolsões em determinadas regiões onde milhares de pessoas não sabem ler. São pessoas que vivem à margem da vida, sem futuro profissional, sempre em empregos subalternos e mal remunerados. Estudar, eis a questão. Como dizia Albert Einsten, "Jamais considere seus estudos como uma obrigação, mas como uma oportunidade invejável para aprender a conhecer a influência libertadora da beleza do reino do espírito, para seu próprio prazer pessoal e para proveito da comunidade à qual seu futuro trabalho pertencer". Outras frases interessantes sobre os temas estudos, superação e vitória são: "Quanto maior o desafio, maior a glória de vencê-lo." (Molière); "Iremos fazer imediatamente aquilo que é possível, o impossível irá demorar um pouco mais de tempo". (Winston Churchill); "Tudo vale a pena se a alma não é pequena..." (Fernando Pessoa), "O êxito na vida não se mede pelo que você conquistou, mas sim pelas dificuldades que superou no caminho." (Abraham Lincoln), "Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e vida é muito curta para ser insignificante" (Chaplin); "O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente." (Ghandi); "Nada pode resistir a força de um desejo, a uma vontade; e o homem, quando se propõe a fazer algo, deve ir até o fim, mesmo que isso custe toda a existência. " (Benjamin Disraeli); "Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer" (Mahatma Gandhi). Para concluir, uma frase lapidar de autor desconhecido: "quanto mais estudo, mais descubro que nada sei". Portanto, jovens, a melhor maneira de se preparar adequadamente para o futuro é estudar, hoje e sempre.
Escrito por José Carlos Daltozo às 10h12
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João Gomes Martins Filho naceu em São Paulo, no dia 02.08.1908. Era filho de João Gomes Martins, o colonizador de Martinópolis, e de Carolina de Freitas Martins. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais no ano de 1933, tendo colado grau no início de 1934, pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, a famosa faculdade situada no Largo de São Francisco. Acompanhou o pai no desbravamento de Martinópolis e herdou, junto com os irmãos, os destinos da Colonização Martins, quando do falecimento de João Gomes, em 1937. Por ser o primogênito, centralizou todas as negociações de terras, exercendo grande influência política em Martinópolis e região. Foi fundador e presidente da Associação Rural de Presidente Prudente. Era muito amigo do senador César Lacerda de Vergueiro, político paulista que foi decisivo para que Martinópolis se tornasse comarca em 1945, apenas seis anos após a emancipação política, uma vez que se tornou município autônomo instalado em 29 de janeiro de 1939. Martins Filho foi eleito deputado federal constituinte e exerceu o mandato de 1946 a 1951. Foi candidato a vice-governador em 1950, na chapa capitaneada por Prestes Maia como candidato a governador. Embora Prestes Maia tivesse muito prestígio por ter sido um dos melhores prefeitos da capital paulista, responsável pela abertura de grandes avenidas e construção de muitos prédios públicos que são importantes até hoje, no interior ele era praticamente desconhecido e ambos não lograram êxito. Martins Filho também exerceu vários cargos na administração estadual. Em 1958 e 1959 foi Secretário de Administração da Secretaria de Educação e Cultura. De 1964 a 1966 foi Diretor Técnico do Departamento dos Institutos Penais. Nos anos de 1966 e 1967 exerceu a Chefia de Gabinete da Secretaria da Promoção Social. No dia 16 de maio de 1968 ingressou no cargo de Juiz Federal, na 7ª Vara da Justiça Federal, em São Paulo. Aposentou-se nesse cargo em 22 de novembro de 1978. Há, inclusive, um fato interessante em seu último ato como juiz federal, relatado em jornais como "O Estado de São Paulo". Ele foi o relator da ação movida contra a União pela morte do jornalista Vladimir Herzog, da TV Cultura, de grande repercussão na época do regime militar. Antes que pronunciasse seu voto, como já tinha tempo para se aposentar, manobraram nos bastidores para que se afastasse do caso, pois havia a suspeita que seu voto seria contrário à União. No entanto, o novo juiz federal que herdou o caso, analisando as provas, condenou a União pela morte do jornalista, da mesma forma que Martins Filho teria feito, se não fosse afastado do caso. Faleceu na capital paulista em 29 de abril de 1993.
Escrito por José Carlos Daltozo às 11h17
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Certamente você já leu em algum livro, jornal ou revista a famosa frase "ser mãe é padecer num paraíso". Ela faz parte de um poema do autor maranhaese Coelho Neto, que reproduzimos abaixo, numa homenagem especial ao Dia das Mães. "Ser mãe é desdobrar fibra por fibra o coração! Ser mãe é ter no alheio lábio que suga, o pedestal do seio, onde a vida, onde o amor, cantando, vibra. Ser mãe é ser um anjo que se libra sobre um berço dormindo! É ser anseio, é ser temeridade, é ser receio, é ser força que os males equilibra! Todo o bem que a mãe goza é bem do filho, espelho em que se mira afortunada, Luz que lhe põe nos olhos novo brilho, onde a vida, onde o amor, cantando, vibra. É ser força que os males equilibra! Ser mãe é andar chorando num sorriso! Ser mãe é ter um mundo e não ter nada! Ser mãe é padecer num paraíso." Coelho Neto, hoje quase esquecido, foi um dos autores mais lidos nas primeiras décadas do século 20. Seu nome completo era Henrique Maximiano Coelho Neto, tendo nascido na cidade de Caxias, Maranhão, em 21 de fevereiro de 1864. Em 1883 matriculou-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, e logo no primeiro ano passou a fazer parte das campanhas abolicionista e republicana. Morou na pensão em que também morava Raul Pompéia. Em 1885 desistiu de cursar Direito e voltou ao Rio de Janeiro, onde moravam seus pais. Fez parte do grupo de boêmios do qual faziam parte Olavo Bilac, Guimarães Passos e Paula Ney. Tornou-se companheiro de José do Patrocínio nas campanhas abolicionistas. Começou a escrever em jornal, primeiro no Gazeta da Tarde e depois no Folha da Cidade do Rio. Publicou seus primeiros livros e, em 1890, casou-se com Maria Gabriela Brandão, com quem teve 14 filhos. Em seguida exerceu vários cargos políticos e também lecionou na Escola Nacional de Belas Artes e no Colégio Pedro II. Faleceu no Rio de Janeiro em 28 de novembro de 1934.
Escrito por José Carlos Daltozo às 11h15
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Há exatos 123 anos foi decretado o fim da escravidão no Brasil. No dia 13 de maio de 1888, a princesa Isabel, que estava no poder imperial por causa de uma viagem de seu pai D. Pedro II à Europa, assinou a Lei Áurea, declarando extinta a escravidão. Foi um grande acontecimento, sem dúvida. A escravidão era uma mácula que já havia sido extinta em muitos países, inclusive sul americanos, mas que ainda resistia em nosso país. Depois de mais de trezentos anos de escravidão, o Brasil conseguia finalmente libertar seus escravos. Mas o governo imperial não previu o que ocorreu em seguida à essa libertação, ou seja, o surgimento de um problema social de grande magnitude. Libertos, os escravos e suas famílias perambularam durante meses por estradas e cidades, à procura de trabalho remunerado, de um lar para ficar e de comida. Passaram-se muitos anos até tudo se acomodar. A primeira escravidão no Brasil foi a indígena, onde tribos inteiras eram capturadas e vendidas para o trabalho nas lavouras e nas minas. Com o desbravamento de várias regiões pelos colonizadores portugueses, havia necessidade de mais contingentes de trabalhadores. Por esse motivo começou o tráfico de escravos do continente africano. Eles eram transportados nos porões de navios negreiros, em péssimas condições de higiene, muitos morriam durante a travessia. Chegando ao Brasil, eram comprados como mercadorias por fazendeiros e senhores de engenho, recebendo na maioria das vezes um tratamento cruel e violento. A partir de meados do século 19 surgiram vários movimentos abolicionistas e lideranças políticas favoráveis, entre as quais a de Joaquim Nabuco. No ano de 1850, por exemplo, foi votada uma lei que proibia o tráfego de escravos a partir daquela data, mas não libertava os que já estavam aqui. Na década de 1870, na região sul, começaram a chegar os primeiros imigrantes europeus, para trabalhar nas lavouras brasileiras como assalariados, porque os proprietários sabiam que o fim da escravidão era questão de anos. Em 1871 foi promulgada a lei do "ventre livre", todo filho de escravo seria livre a partir daquela data. Em 1885 foi dado mais um passo, libertando todos os escravos que completassem 65 anos de idade. Mas a lei definitiva só foi promulgada em 13 de maio de 1888. Ninguém conseguiu expressar o sofrimento dos escravos africanos melhor do que Castro Alves, em seu grande poema "Navio Negreiro". O poema foi escrito em São Paulo no ano de 1869, quando o poeta tinha apenas 22 anos de idade e cursava a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Um dos trechos mais significativos é este: "Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura... se é verdade Tanto horror perante os céus?! Ó mar, por que não apagas Com a esponja de tuas vagas De teu manto este borrão?... Astros! noites! tempestades! Rolai das imensidades! Varrei os mares, tufão! Quem são estes desgraçados Que não encontram em vós Mais que o rir calmo da turba Que excita a fúria do algoz? (...) São os filhos do deserto, Onde a terra esposa a luz. Onde vive em campo aberto A tribo dos homens nus... São os guerreiros ousados Que com os tigres mosqueados Combatem na solidão. Ontem simples, fortes, bravos. Hoje míseros escravos, Sem luz, sem ar, sem razão..." José Carlos Daltozo
Escrito por José Carlos Daltozo às 11h14
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Dias atrás, estava lendo um livro interessante sobre o surgimento de frases que são muito conhecidas e passam de geração em geração. São frases, por exemplo, como "a vaca vai para o brejo", "só para inglês ver", "estar em papos de aranha", "lavar a égua", "do tempo do Onça", "a casa da mãe Joana" e muitas outras, com as devidas explicações de quando e como surgiram. Uma delas chamou minha atenção, a frase "quinto dos infernos". Ela foi criada no século 18, quando o Brasil era colônia de Portugal e pagava um alto tributo ao colonizador. O tributo incidia sobre tudo que fosse produzido em nosso país e correspondia a vinte por cento (ou seja, um quinto) da produção brasileira. Era chamada de "o quinto" e, como nossa maior produção na época era o ouro, o "quinto" que era pago aos portugueses foi apelidado de "o quinto dos infernos". Essa cobrança, inclusive, provocou a revolta dos mineiros, que resultou na Inconfidência Mineira, com a prisão e julgamento dos revoltosos e a execução de José Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes. Nos dias atuais, o brasileiro não paga apenas um quinto do que ganha. Segundo os institutos econômicos, a carga tributária atual do Brasil está em 38% de toda a riqueza nacional. Nossa carga tributária atual é quase o dobro do que era na época colonial. Estamos pagando, portanto, quase "dois quintos dos infernos" em tributos. Pagamos impostos diretos e indiretos, nas três esferas: municipal, estadual e federal. Quando alguém compra um quilo de feijão ou toma uma cerveja ou faz uma macarronada, vários impostos estão embutidos no valor pago por esses produtos. Na compra de um televisor, uma geladeira ou um carro, o imposto é ainda maior, tanto em percentual como em valores. Outra frase que citei acima, "a casa da mãe Joana" tem uma história muito antiga. Tem início com Joana I, rainha de Nápoles. Por razões políticas, a rainha Joana teve que se refugiar na cidade francesa de Avignon, onde alguns anos depois foi assassinada por seu sobrinho e herdeiro, Carlos de Anjou, em 1382. Enquanto ainda mandava e desmandava em Avignon, Joana regulamentou os bordéis da cidade. Uma das medidas foi estabelecer que todo bordel deveria ter uma porta por onde todos entrariam. Assim, cada prostíbulo ficou conhecido como "a casa da mãe (a dona da cidade) Joana", com o sentido de uma casa que está aberta a qualquer um. A expressão viajou até Portugal e veio para o Brasil, hoje tem o significado de "um lugar em que todo o mundo manda e faz o que bem entende".
Escrito por José Carlos Daltozo às 11h11
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O Brasil é pródigo em alterar ou promulgar novas constituições. A que está em vigor é de 1988, e é a oitava Constituição que nosso país já teve. Todas as semanas aparecem congressistas de todos os partidos propondo emendas, gerando uma verdadeira colcha de retalhos. Por esse motivo, os tribunais vivem repletos de ações judiciais alegando inconstitucionalidade nos mais diferentes aspectos da vida brasileira. Se a nossa Constituição não fosse tão remendada e tivesse um texto básico uniforme, que não restasse dúvidas, muito trabalho seria economizado nesse setor. A primeira Constituição brasileira foi promulgada por D.Pedro I, em 1824. A segunda, em 1891, após a Proclamação da República. Em seguida tivemos as constituições de 1934, 1937, 1946, 1967, 1969 e finalmente essa atual, em 1988. Copiamos os norte-americanos em muitas coisas, para o bem ou para o mal. Se seguíssemos o exemplo deles em matéria de Constituição, teríamos ainda em vigor a 1824, logicamente com os acréscimos ou emendas conforme a modernização dos costumes. A Constituição norte-americana foi aprovada em 1787 e está em vigor até hoje, passados 224 anos. Nesses mais de dois séculos, sofreu apenas 27 emendas. No preâmbulo, ela menciona "Nós, o Povo dos Estados Unidos, a fim de formar uma União mais perfeita, estabelecer a Justiça, assegurar a tranqüilidade interna, prover a defesa comum, promover o bem-estar geral, e garantir para nós e para os nossos descendentes os benefícios da Liberdade, promulgamos e estabelecemos esta Constituição para os Estados Unidos da América." Anterior à essa primeira Constituição é a Declaração de Independência dos Estados Unidos, ocorrida em 04 de julho de 1776, que completou 235 anos na última segunda-feira. É um texto primoroso, principalmente o seu primeiro parágrafo, uma das frases mais significativas da humanidade, que diz: "Todos os homens são iguais: foram aquinhoados pelo seu criador com certos direitos alienáveis e entre esses direitos se encontram o da vida, da liberdade e da busca da felicidade. Os governos são estabelecidos pelos homens para garantir esses direitos, e seu justo poder emana do consentimento dos governados."
Escrito por José Carlos Daltozo às 11h10
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NOVO LIVRO HISTÓRICO - FAZENDA SÃO JOSÉ Lancei no início de dezembro de 2010 o livro FAZENDA SÃO JOSÉ - UM MARCO NA HISTÓRIA DE MARTINÓPOLIS. Em 120 páginas, papel couchê, recheado de fotos antigas, o livro retrata uma das fazendas pioneiras do então povoado de José Teodoro, atual Martinópolis. O povoado foi fundado em 1924 e a fazenda foi adquirida em 1926, com 521 alqueires de mata virgem. O comprador foi José Olyntho Fortes Junqueira, pecuarista de São Joaquim da Barra-SP. A fazenda, hoje com mais de 1.500 alqueires, foi grande produtora de café e algodão, nas décadas de 1930 a 1970. Hoje só tem gado e cana de açúcar. O livro destaca vários integrantes do clã Junqueira, tradicional família de pecuaristas mineiros e paulitas, com ênfase para José Carlos Junqueira Meirelles, formado agrônomo e que veio para cuidar dos intereresses dos tios e de sua mãe, com o passar dos anos foi adquirindo as partes dos descendentes, tornando-se proprietário exclusivo. A São José também foi o embrião da aquisição de várias fazendas na região, como a Manduvi, São Domingos, Nova Floresta e outras. O livro não foi vendido em bancas de jornais ou livrarias, pois trata-se de edição exclusiva por encomenda dos familiares, notadamente José Junqueira Meirelles (Neto). Foi distribuído como presente de Natal para os familiares, parentes, amigos e colaboradores da Fazenda, além de antigos funcionários. Uma idéia que pretendo levar avante, publicando futuramente outros livros nesse mesmo estilo, para pessoas físicas, empresas ou entidades.
Escrito por José Carlos Daltozo às 09h28
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DE TUDO UM POUCO - para Jornal FOLHA DA CIDADE de MARTINÓPOLIS - Edição de 17.12.2010 Quem foi ao show do humorista Ary Toledo, no sábado passado, teve o prazer de ouvir durante uma hora e meia mais de duas centenas de piadas. Logo no início ele mencionou ser filho de ferroviário que trabalhava na Estrada de Ferro Sorocabana e ter nascido na Estação Laranja Doce, pertencente a Martinópolis. A estação não existe mais, no local só se encontra uma plataforma de cimento carcomida pelo tempo. Recheado de palavrões, em seu estilo inconfundível, o show foi um sucesso. As cerca de 400 pessoas que compareceram à Casa de Shows Magalini não se arrependeram dos 25,00 pagos pelos ingressos adquiridos antecipadamente. Na hora do show os ingressos foram vendidos a 35.00. Havia desde jovens até pessoas com mais de 80 anos, denotando que o humor não tem idade. Ary é um verdadeiro showman, como existem poucos na atualidade. Seu estilo de trabalho, sozinho no palco, sem cenários, apenas um banquinho, o violão e o microfone, é algo em extinção. Os humoristas da atualidade, no Brasil, são mais de fazer tipos, ou então esquetes curtos, atuando em duplas ou em grupo. Depois do espetáculo, ele ficou batendo papo com as pessoas e autografando seu livro e seus dois CDs, o mais recente com as piadas do show. Não se furtou de dar autógrafos e tirar fotos com os que pediam, denotando bastante acessibilidade e humildade. Convidado pelo jornal, logo depois do show fui ao Restaurante Ouro Verde, onde ele iria jantar. Por coincidência, numa mesa de 16 lugares, sentei justamente em frente a ele. Foram mais de duas horas de bate papo, melhor dizendo, ouvindo as piadas que ele contava. É incrível, não existe um tema que ele não tenha alguma piada. Sabe aquela do papagaio? E aquela do padre? E a do português da padaria? Ou a do aluno pilantra... e assim, uma a uma, ele foi desfilando centenas de piadas. Só parava para dar um gole no chopp ou uma mordida na fatia de pizza. E logo continuava... e aquela do padre? Tem também aquela do médico... e a do vigarista... E assim as horas foram passando, quando olhamos no relógio eram mais de 2 horas da manhã. Uma noite realmente inesquecível. Ary disse ter mais de 60.000 piadas catalogadas no computador, inclusive vai constar no Livro dos Recordes. Mencionou ainda que gostaria de voltar no final de 2011, para fazer novo show em sua cidade natal. Fico pensando que seria interessante até um show em praça pública, mas é inviável, pois a maioria de suas piadas são proibidas para menores, para serem ditas entre as quatro paredes de um teatro. Há algumas (poucas) que podem ser contadas sem limitação de idade. Por exemplo, estas três piadas curtas sobre sogras: Um cara foi a delegacia e disse: - Eu vim dar queixa, pois a minha sogra sumiu. O delegado perguntou: - Há quanto tempo ela sumiu? - Duas semanas - respondeu o genro. - E só agora é que você vem fazer a comunicação? - É que eu custei a acreditar que eu tivesse tanta sorte! Outra piada rápida. A sogra do cara morreu e os parentes perguntaram: - O que fazemos? Enterramos ou cremamos? - Os dois! Não podemos facilitar! E para finalizar mais uma: O homem leva um susto que ao ouvir de sua cartomante: - Em breve sua sogra morrerá de forma violenta. Imediatamente ele pergunta à vidente: - Violentamente? E eu? Serei absolvido? José Carlos Daltozo, jornalista (MTb 32.709) e historiador, tem oito livros históricos publicados. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da Academia Venceslauense de Letras. Blog: http://jcdaltozo.blog.uol.com.br Contato pelo e-mail jcdaltozo@uol.com.br
Escrito por José Carlos Daltozo às 12h25
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Em meados de dezembro foi lançado o segundo volume do livro NOSSAS RECEITAS PREFERIDAS, idealizado pelas Voluntárias da Santa Casa de Martinópolis. O volume 1, lançado em dezembro de 2009, foi um sucesso estrondoso, os mil livros foram vendidos em apenas três meses. Baseado nessa experiência vitoriosa, as voluntárias resolveram coletar mais receitas de doces e salgados e publicar o volume 2. A estrutura do livro é a mesma do anterior, iniciando com aperitivos, entradas, saladas, em seguida tortas salgadas, carnes, aves, peixes, doces, tortas e bolos. No final há uma novidade: um pequeno dicionário de palavras e expressões usadas na cozinha, por exemplo, molho bechamel,croutons, flambar, marinar, pancetta, pesto, profiteroles, prosciutto e muitos outros vocábulos interessantes. Da mesma forma que no primeiro volume, digitei e diagramei o exemplar como voluntário, sem despesas para a Instituição. Minha esposa fez a revisão ortográfica e meu filho caçula criou a capa, também como voluntários. O único custo do livro foi a impressão em uma gráfica especializada em livros e apostilas e esse valor será pago integralmente por um empresário nascido em Martinópolis em 1941, morou apenas dez anos na cidade e hoje tem várias empresas na capital paulista. A renda será totalmente destinada para aquisições de materiais e utensílios necessários ao bom funcionamento do hospital, a exemplo de lençóis, cobertores, material de limpeza, eletrodomésticoS etc. Por morarmos numa cidade pequena, muitas eram repetidas entre si, outras eram as mesmas do livro anterior, só com títulos diferentes. Bolos de fubá, por exemplo, foram enviadas umas dez receitas, tive que escolher apenas as duas mais criativas e que não fossem semelhantes às do livro anterior.. A maioria das pessoas enviaram duas receitas, uma doce e uma salgada. No entanto, várias pessoas enviaram um grande número, deixando a cargo do digitador a escolha das mais interessantes ou que não fossem repetidas. Outro detalhe: algumas tiveram que ser reescritas, mas sem interferir na explicação do doador, visando mantê-las em um padrão universal e único, como aparecem em todos os livros de culinária que existem por aí. Ou seja, os ingredientes em primeiro plano, as explicações em seguida. Como são receitas fáceis de fazer e essas pessoas as utilizam há anos, havia a menção dos ingredientes no corpo da receita, não respeitando a regra básica acima mencionada. O problema é que o livro será adquirido por pessoas que, muitas vezes, não tem experiência de cozinhar e, se não estiver bem explicada, o resultado final não será bom. Vamos, portanto, prestigiar mais esse importante lançamento editorial em nossa cidade. Adquirindo NOSSAS RECEITAS PREFERIDAS - VOLUME 2, o leitor estará colaborando com a grande obra assistencial prestada pela Santa Casa de Martinópolis. Um dos motivos do livro ser editado em dezembro é que pode se transformar num ótimo presente de Natal para os parentes e amigos que residem até mesmo em outras cidades. Dos meus livros sobre a ferrovia e a imigração japonesa restam poucos exemplares, em breve estarão esgotados. Quanto ao livro 60 ANOS SEMEANDO CONHECIMENTO, repleto de fotografias da Escola João Gomes Martins (CENE), as vendas seguem seu curso normal, metade da edição já foi vendida. Nas férias do próximo verão muitos martinopolenses residentes em outras localidades visitam a cidade e adquirem exemplares. Não deixa de ser, também, uma boa opção de presentear amigos e parentes neste Natal ou quando for visitá-los nas viagens de férias no início de 2011. Em vez de chegar de mãos vazias, levar uma lembrança da terrinha, ou seja, um livro de receitas ou um livro histórico repleto de fotografias antigas, é tudo de bom.
Escrito por José Carlos Daltozo às 12h23
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Do publicitário Rubens Gennaro todos os leitores já ouviram falar. Martinopolense nascido em 29 de setembro de 1958, filho de Narciso Genaro e Amélia Menon Genaro, estudou na Escola Cel. João Gomes Martins e dede 1979 está radicado em Curitiba, onde atuou em diversos segmentos, notadamente na área de publicidade e até charges para jornais. Formado em Arquitetura, juntamente com a esposa Virgínia é proprietário da empresa LAZ AUDIOVISUAL. Um dia, resolveu enveredar pelos caminhos do cinema brasileiro. Ousou produzir um filme estrelado por Anthony Quinn e conseguiu, tendo lançado ORIUNDI no ano 2000. O filme tem ainda Leticia Spiller, Paulo Betti, Paulo Autran e Gabriela Duarte no elenco. Relata a história de uma família de imigrantes italianos, donos de uma fábrica de macarrão na capital paranaense. O patriarca, Giuseppe Padovani, tem 93 anos e foi interpretado pelo grande ator norte-americano. Anos depois, em 2005, tendo o amigo Paulo Betti c omo diretor, Rubens produziu o filme CAFUNDÓ, estrelado por Lázaro Ramos no papel de um negro místico chamado João de Camargo, que viveu na região de Sorocaba no século 19. O filme recebeu 5 prêmios kikitos no Festival de Gramado de 2005. Mesmo com todas as vicissitudes e problemas de distribuição nas grandes cadeias de cinemas no Brasil, maioria dominadas por capitais estrangeiros, Rubens Gennaro continuou insistindo na carreira de produtor cinematográfico. No Brasil, são lançados, em média, 50 filmes nacionais por ano, mas destes só um ou outro desponta como verdadeiros campeões de bilheteria. Para fazer sucesso e cair nas graças do povo, além de boa história e boa fotografia, o filme tem que ter uma boa distribuição. Os grandes sucessos de uns anos para cá, por exemplo, 2 Filhos de Francisco, Chico Xavier, Se eu fosse você 1 e 2, Tropa de Elite 1 e 2, geralmente tem a Globo Filmes na retaguarda. E, consequentemente, a divulgação maciça da Rede Globo. Rubens e sua produtora Laz, como são independentes, sofrem por não se enquadrarem no esquema das distribuidoras. Mas ele não desiste e está com um novo filme em fase de finalização, que tem tudo para ser sucesso. Trata-se de um antigo sonho do produtor, retratando a vida sentimental e guerreira de Giuseppe Garibaldi em nosso país. O filme em o título de GARIBALDI IN AMERICA, é estrelado por Gabriel Braga Nunes no papel de Garibaldi e Ana Paula Arósio como Anita Garibaldi. Garibaldi é considerado herói de dois mundos, pois lutou dos 28 aos 41 anos de idade no Brasil - de 1836 a 1848 - com incursões no Uruguai e na Argentina e, ao retornar ao seu país, foi um dos artífices da unificação italiana, agrupando os vários reinos isolados que formaram a Itália atual. Participou ativamente da Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Em Laguna-SC, Garibaldi se apaixonou por Ana Maria de Jesus Ribeiro, conhecida depois como Anit a Gar ibaldi, com quem se casaria e que se tornaria sua companheira de lutas na América do Sul e depois na Itália. Filmar uma epopéia dessas é apenas uma das fases de um filme, e essa fase já está concluída. Falta agora levantar dinheiro junto a investidores, geralmente empresas que abatem um percentual investido no Imposto de Renda, para finalização. Ou seja, montar o filme, sonorizar, fazer cópias e depois distribuir. A idéia é que seja lançado no primeiro semestre de 2011. Ser cineasta é uma tarefa árdua, própria das pessoas criativas e de mente aberta. Rubens é um desses personagens. Um visionário que, muitas vezes, obtém mais prazer na realização pessoal do que dinheiro propriamente dito. Um eterno lutador, que não desiste nunca, enquanto finaliza um projeto já tem outros em mente, no mundo mágico da cinematografia. José Carlos Daltozo, jornalista (MTb 32.709) e historiador, tem oito livros históricos publicados. Membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da Academia Venceslauense de Letras. Blog: http://jcdaltozo.blog.uol.com.br Contato pelo e-mail jcdaltozo@uol.com.br
Escrito por José Carlos Daltozo às 12h21
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EXPOSIÇÃO DE POSTAIS NA BIBLIOTECA DA UNESP Título da Exposição - "Imagens urbanas: a verticalização de São Paulo nos postais da coleção José Carlos Daltozo", de 21 a 27 de outubro de 2010 - Biblioteca da UNESP de Presidente Prudente - Rua Roberto Simonsen, 305 - Dias 21 a 27 de Outubro de 2010 - Manhã, tarde e noite - Fone: (18) 3229-5329 Texto do folder a ser distribuído na exposição: O cartão-postal foi criado na Áustria em 1869 e adotado pelo Correio brasileiro ainda na época do Império, em 1880. Foi inventado para ser enviado a descoberto, sem envelope, para mensagens curtas e tarifa postal reduzida. No início ele trazia apenas o brasão do Império num dos lados, junto com espaço para o nome e endereço do destinatário, com o verso em branco para a mensagem. Com o passar dos anos foi recebendo desenhos e fotografias em uma de suas faces, quando começou a ser colecionado. De 1900, quando foi intensificado o uso da fotografia, até 1930, considerada a era de ouro da cartofilia, mostrava não só cenas de cidades e paisagens, mas também fotos de enchentes, terremotos, acidentes de trânsito, incêndios, visitas de reis, rainhas e presidentes, acontecimentos políticos e esportivos de todo tipo. Nessa época não havia televisão, os jornais e revistas traziam raras imagens, as viagens eram difíceis e caras, por isso o postal supria o desejo do público em conhecer outras cidades e outros países. A partir de 1930 o postal passou a ser usado, preferencialmente, na divulgação turística, como conhecemos até hoje. José Carlos Daltozo, 60 anos, jornalista e escritor com oito livros publicados, coleciona cartões-postais desde 1988. Nessa época, possuía cerca de 200 exemplares, adquiridos pelo gosto que sempre cultivou por fotografias de cidades – suas paisagens, seus marcos arquitetônicos e o cotidiano de sua gente. Hoje, é curador de uma coleção que ultrapassa os 163.000 exemplares, do mundo inteiro, na qual se encontra raridades, como postais seculares, datados de 1898, 1900, 1901. Seu acervo é fonte de pesquisas para arquitetos, urbanistas, historiadores, geógrafos, antropólogos, sociólogos, fotógrafos, entre outros, além de servir para pesquisas iconográficas. Em muitos livros, vários textos foram enriquecidos com as imagens oriundas dos postais de Daltozo, como na obra "Sim, sou eu, Alberto", da jornalista Marleine Cohen sobre Santos Dumont, onde a Paris do começo do século XX é ilustrada por dez exemplares de sua admirável coletânea. A presente exposição, organizada para a Semana da Biblioteca, utiliza alguns exemplares de Daltozo para delinear a verticalização da cidade de São Paulo, em seu processo de metropolização. No entanto, de maneira inovadora, os postais servem de matéria-prima e fonte de inspiração para intervenções artísticas, promovidas por uma equipe de alunos e professores do Departamento de Planejamento, Urbanismo e Ambiente da FCT-UNESP, que transformou antigas fotografias em aprimoradas representações contemporâneas. Sob essa perspectiva, é possível estabelecer, metaforicamente, uma analogia com a capital dos paulistas, que em sua vertiginosa expansão, abraçou o novo, porém, não abandonou por completo o velho. Essa exposição se apresenta como o resultado da união afinada entre a origem e a originalidade. A primeira, conservada nas antigas fotografias dos cartões-postais de José Carlos Daltozo. A segunda, presente nas influências dos artistas que conceberam essa bela releitura.
Escrito por José Carlos Daltozo às 09h58
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130 anos do cartão-postal no Brasil O Brasil, tão ágil na adoção do selo postal em 1843, apenas três anos após lançado na Inglaterra em 1840, não procedeu da mesma maneira com o cartão-postal. Criado em 1869, na Áustria, nosso país só o adotou onze anos depois, quando ele já era um sucesso consagrado na Europa. O decreto 7695, de 28 de abril de 1880, criou o bilhete postal, precursor do cartão-postal. Neste mês de abril, portanto, comemoramos os 130 anos do cartão-postal brasileiro. Na exposição de motivos que o Ministro Buarque de Macedo encaminhou ao Imperador D.Pedro II, visando obter autorização para a confeccção e circulação de postais no Brasil, mencionou "Segundo Vossa Majestade Imperial se dignará ver, a primeira de tais alterações é a que estabelece o uso dos bilhetes postais geralmente admitidos nos outros Estados e ainda em França, onde aliás houve durante algum tempo certa repugnância ou hesitação em os receber. Os bilhetes postais são de intuitiva utilidade para a correpondência e, longe de restringir o número de cartas, como poderá parecer, verifica-se o contrário, que um de seus efeitos é aumentá-lo". A impressão dos primeiros bilhetes postais era exclusividade do Correio do Império Brasileiro, com o porte impresso. Era uma simples cartolina formato 8,5 X 12 cm, uma das faces para o endereço do destinatário e a outra para a mensagem. Havia três classes. Uma, de cor vermelha, para a correspondência urbana, preço de 20 réis. Outra, cor azul, para a correspondência no interior das Províncias do Império Brasileiro, preço de 50 réis (metade do porte de uma carta simples). O terceiro porte, cor laranja, para a correspondência internacional, custando 80 réis. Havia possibilidade do remetente pagar o porte de remessa e resposta, nesse caso custava o dobro do valor dos três portes citados anteriormente. A aceitação do postal no Brasil foi muito grande. Apenas quatro anos de sua criação, tendo como exemplo o Rio de Janeiro, sua circulação em 1884 quase ultrapassou o número de cartas comuns. Foram 282.248 cartas particulares e 212.662 bilhetes postais (conf. Elysio Belchior, na introdução do livro "O Rio de Ontem no Cartão-Postal 1900-1930"). As fotografias de cidades e paisagens só começaram a ser impressas no final do século 19. Outra data importante para a cartofilia brasileira foi 14 de novembro de 1899, quando o Governo Republicano, através da Lei 640, autorizou a produção de bilhetes-postais pela indústria gráfica particular. Alguns anos antes, no entanto, já circulavam postais brasileiros feitos em editoras particulares, mas impressos no Exterior. Entre eles, os da série Süd Amérika, editada em Hamburgo, na Alemanha, mostrando vistas de Recife, Salvador, Pará e Rio de Janeiro. O mais antigo postal conhecido, entre os produzidos no Brasil, é do Estabelecimento Gráfico V. Steidel, de São Paulo, mostrando o edifício do Tesouro de São Paulo. Esse exemplar, circulado com a data de 24.11.1898, foi produzido por uma gráfica particular um ano antes da autorização oficial do governo federal. Os mais antigos postais produzidos por editores estabelecidos no Rio de Janeiro, então capital federal, são do fotógrafo Marc Ferrez, circulados em dezembro de 1900. Outro editor foi León de Rennes, com a empresa L. de Rennes & Cia, encontrado em postal circulado em 1901. Importantes editores dessa época foram S.Gradim & Cia, Casa Guimarães & Ferdinando, Wagner & Cia. A partir de 1902 entra em ação A. Ribeiro, que vai deixar uma grandiosa série de postais mostrando os mais variados aspectos da cidade do Rio de Janeiro e arredores. No ano de 1909, quando a população brasileira girava ao redor de vinte milhões de habitantes, circulou pelo Correio a impressionante soma de quinze milhões de cartões-postais.
Escrito por José Carlos Daltozo às 16h58
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